Jovens transformando o semiárido em chão fértil para novas oportunidades

Nossa viagem pelo semiárido baiano na última sexta-feira dia 15 de março, para conhecer experiências bem sucedidas de comunicação participativa, começou pela cidade de Retirolândia, onde fica a sede da Agência Mandacaru de Comunicação e Cultura, a Amac. Lá encontramos jovens comprometidos com questões sociais, que conseguiram mudar sua própria realidade e estão ajudando a transformar a vida de outros jovens, através da comunicação.

Tudo começou com um projeto de capacitação chamado Comunicação Juvenil, desenvolvido pelo Movimento de Organização Comunitária, o MOC, em 2002. A ONG, sediada em Feira de Santana, tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento do semiárido baiano, desenvolvendo ações nas áreasde educação, fortalecimento da agricultura familiar, comunicação, entre outras. OMOC é uma das principais referências da região para o trabalho de outras organizações, tendo colaborado com a criação de outros três projetos que faziam parte do nosso roteiro: a Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira, a APAEB, e as rádios comunitárias Valente FM e Santaluz FM.

Cerca de 20 jovens foram formados no projeto Comunicação Juvenil, e cinco deles resolveram criar a Agência Mandacaru de Comunicação e Cultura. Em 2005, nasce oficialmente a Agência, com o objetivo de atender as demandas do movimento social do território do Sisal, além de multiplicar os saberes adquiridos. Atualmente, a equipe é formada por sete profissionais, entre jornalistas, pedagogos e profissionais de Rádio e TV, além de jovens em formação.

A estrutura da Agência Mandacaru é composta por três núcleos: radiojornalismo, audiovisual e boletins impressos, sendo o mais forte o de radiojornalismo. Segundo a presidente da Agência, Camila Santos, por conta da estrutura não ser ainda a almejada, os jovens têm mais facilidade em produzir material em áudio, já que o custo dos equipamentos é menor.

Os desafios na manutenção do projeto são vários, mas a questão financeira é a mais preocupante. Após oito anos de existência, eles ainda não têm uma sede própria. Como trabalham para os movimentos sociais, recebem pouco pelo serviço prestado, então, a saída são os editais do governo, a prestação de serviços de assessoria de comunicação, capacitações entre outros. Um dos projetos executados atualmente, o Comunicação em Rede, que atende jovens de escolas públicas, foi possível graças a uma concorrência pública.  Mas a escassez de capital já prejudicou a continuidade de projetos, como a extinção de um jornal voltado para a questão da erradicação do trabalho infantil, que a Agência produziu até 2011.

Lembrando que a Agência Mandacaru surge engajada com essa temática. Diversas crianças e jovens conheceram o projeto através do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, o PETI. O que não faltam na Agência, são histórias de superação. Jovens que tiveram uma realidade de exploração, mas que através da Agência, da comunicação e uma nova visão de mundo puderam reescrever sua trajetória.

*Raquel Santana é estudante de jornalismo da Facom/UFBA e integrante da ACC Comunicação, Democracia e Cidadania. 

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