Quando um projeto dá certo

“Minha luta é combater qualquer forma de trabalho infantil”, afirma Laudécio Carneiro da Silva.

Laudécio Carneiro da Silva, 23, é formado em Rádio e TV pela UNEB (Universidade do Estado da Bahia), comunicador da Agência Mandacaru de Comunicação e Cultura, além de ser Conselheiro Tutelar do município de Retirolândia, localizado a 227 quilômetros de Salvador. A cidade faz parte do Território do Sisal, umas das regiões que mais sofre com a seca no Estado. Hoje, Laudécio é um jovem vitorioso, mas já passou por momentos difíceis. Foi vítima de trabalho infantil, trabalhou na lavoura para ajudar a família. Atualmente, luta para que crianças e jovens da região tenham uma infância diferente da que ele teve.

Raquel Santana e Ana Paula Lima – Você trabalhou ajudando sua família na lavoura, o que se configurou como trabalho infantil, e hoje é apontado como sucesso da Agência Mandacaru de Comunicação e Cultura. Conte um pouco dessa trajetória.

Laudécio Carneiro da Silva – Eu trabalhava na lavoura de sisal para ajudar meus avós, meus pais, enfim, a minha família como um todo. Foi um período difícil da minha vida, mas eu fui contemplado pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, o PETI. No PETI comecei a me interessar mais pelos estudos e começar a planejar meu futuro também, a sonhar mais com a vida. A partir do PETI, comecei a participar de teatro e outras atividades socioeducativas. Conheci também o trabalho do movimento social de juventude, e a partir dele, cheguei até a Agência Mandacaru.

Como foi o papel da Agência Mandacaru na sua escolha pelo curso de Comunicação?

Em 2009, houve um processo de seleção da agência, fui selecionado e passei a gostar de comunicação, decidi então fazer o vestibular para Rádio e TV pela UNEB e passei. Na Agência Mandacaru eu comecei como aprendiz. Hoje eu sou diretor da agência e realizo oficinas com jovens, tanto em Retirolândia, como em outros municípios do território do sisal, como Acupe e Santa Bárbara. A Agência Mandacaru foi importantíssima para a minha formação, para que eu aprendesse a aproveitar as oportunidades que apareceram na minha vida.

E, além disso, você é também conselheiro tutelar do seu município, como você desenvolve esse trabalho?

Tendo em vista a minha trajetória, eu sempre quis trabalhar com crianças e adolescentes, porque não quero que esses jovens e crianças passem pelo que eu passei na infância, não sejam obrigados a trabalhar. Então comecei nessa luta para combater o trabalho infantil.

É comum achar histórias como a sua nessas caminhadas por esses municípios?

Sim, inclusive meu trabalho de conclusão de curso foi sobre crianças e adolescentes do município de Retirolândia que ainda trabalham. Ainda é comum no município, principalmente na feira livre. No sisal diminuiu um pouco, já foi pior, mas na feira livre ainda é muito comum. Além da feira livre, tem o trabalho doméstico que é visto como normal pelas famílias, mas a gente sabe que também é trabalho infantil. E a nossa luta, minha particular inclusive, é de combater qualquer forma de trabalho infantil. Até porque eu passei por ele e sei o que é. Não quero que aconteça com outros, porque as sequelas são inúmeras.

* Ana Paula Lima e Raquel Santana são estudantes de jornalismo da Facom-UFBA e integrantes da ACC Comunicação, Democracia e Cidadania.

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