UFBA PROMOVE DEBATE SOBRE JUVENTUDE NEGRA E MERCADO DE TRABALHO NO AUDITÓRIO DA FACOM

Mesa foi uma iniciativa da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas  e Assistência Estudantil (Proae) e inicia uma série de Ciclos Formativos voltado para o mercado de trabalho

por Andressa Franco

Na última quarta, 21, a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PROAE) reuniu uma mesa para debater Juventude Negra e Mercado de Trabalho no Auditório da Faculdade de Comunicação (Facom) da UFBa. O debate deu início ao Ciclo Formativo voltado para o mercado de trabalho que está sendo desenvolvido pelo departamento universitário, e contou com a presença de Ângela Guimarães – UNEGRO, Natália Gonçalves – CEJUVE, Lucimara da Cruz – ASSUFBA e Efson Lima – Coordenador de Assistência Técnica e Inclusão Sócioprodutiva – SETRE/BA.

Os componentes da mesa abordaram as dificuldades enfrentadas pelos jovens negros e pelas jovens negras para ingressar no Ensino Superior ao longo dos anos, pontuando a evasão escolar por diversas razões, incluindo a necessidade de trabalhar para complementar a renda da família desde a infância. 

“A UFBA tem uma missão institucional de levar conhecimento, mas em uma cidade extremamente desigual e que gerou de forma desigual o acesso à educação, portanto passa a ser uma missão institucional dessa universidade compreender cada vez mais e cada vez melhor como fazer as pessoas entrarem aqui, com fazer as pessoas permanecerem aqui, mas, sobretudo como fazer com que essa universidade se articule com as organizações, com as instituições, com os coletivos, com os debates, com as discussões que acontecem na sociedade”, disse Gonçalves.

Além disso, foram apresentados gráficos e dados que apontam as desigualdades salariais de pessoas com nível superior em relação à gênero e cor da pele, diferença essa que pode chegar a 130% quando se compara o salário de uma mulher negra ao de um homem branco. Um recorte apenas entre as mulheres mostra uma diferença de menos 36% na remuneração das negras em relação às brancas com a mesma formação, o número passa para 39% quando se trata dos homens. 

Debate

Após as falas dos convidados, a mediadora da atividade, Cláudia Isabele, salientou que o motivo de propor o debate é entender quais são as possibilidades dadas e as condições objetivas nas quais a juventude negra disputa no mercado de trabalho, e passou a palavra para o público. Foram feitos comentários sobre a falta de representatividade jovem na composição da mesa, visto que todos tinham idade acima dos 29 anos, e sobre a necessidade de se ver ocupando espaços. 

Outro ponto lembrado pela plateia diz respeito à realidade enfrentada cotidianamente pelas crianças negras, que as afasta do caminho da educação, como o trabalho infantil e a criminalidade. “A gente não tem tempo de parar para querer estudar e por isso a dificuldade de ter acesso às faculdades. O mercado de trabalho oferece um salário mínimo para você trabalhar sete dias por semana e o tráfico de drogas oferece doze mil reais pra você ficar duas horas ali na frente”, pontuou Álvaro Santana, jovem da Comunidade de São Tomé de Paripe e membro do Coletivo Mojubá.

Próximas atividades 

A PROAE ainda não definiu as datas das próximas atividades, mas os temas já estão confirmados: uma será sobre Pessoas com Necessidades Especiais e Mercado de Trabalho e outra sobre Juventude Trans e Mercado de Trabalho.


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