ESCOLA DE TEATRO DA UFBA REÚNE MESA PARA DEBATER CENSURA

A discussão aconteceu na tarde de ontem e gerou divergências entre o público

por Andressa Franco

Nessa segunda-feira, 22, o Grupo de Estudos e Pesquisas em Públicos e Produção Teatral reuniu uma mesa com o tema “Censura nunca mais?” na Escola de Teatro da UFBA. A discussão contou com a presença do diretor de cinema Bernard Attal, da dramaturga Cleise Mendes, do radialista e diretor teatral Fernando Guerreiro, do doutor em direito público Geovane Peixoto, da jornalista Malu Fontes e do encenador e dramaturgo Márcio Meirelles.

Os componentes da mesa abordaram a censura e como ela se instaura de maneira discreta: de convencer alguém a gostar do mesmo que você ao extremo de proibir a liberdade de expressão de quem discorda.

Fernando Guerreiro exemplificou com as duas funções que exerce na rádio: além de radialista, ocupa o cargo de gestor. “Eu me vejo nas duas situações com a possibilidade de virar um censor, o que é um perigo. Eu posso censurar quem eu levo no programa, quem eu discordo. Muito pelo contrário, eu brigo muito quando levo quatro convidados e os quatro pensam a mesma coisa”, disse o radialista.

Também foram debatidos episódios recentes na política, como o Maior Evento Conservador do Mundo pela primeira vez no Brasil e a maneira como os maiores jornais do país, como a Folha de S. Paulo, retratam o governo atual. No cenário jurídico, Peixoto destacou a dificuldade em confiar no Poder Judiciário. “Ele nunca cumpriu esse papel emancipatório e revolucionário”.

Debate

Quando a palavra passou para o público, foram feitos comentários sobre o ato realizado por integrantes da Organização Dandara Gusmão na exibição do espetáculo “Tetas da Loba”. A peça foi interrompida com palavras de ordem e denúncias de racismo. Na plateia dois pontos de vista foram apresentados: os (as) que acreditavam que o ato representava censura, e os (as) que defendiam a necessidade de boicotar eventos com cunho racista.

O público também apontou a falta de representatividade negra na composição da mesa e a seletividade na identificação dos atos de censura. “De que censura a gente está falando? A censura só incomoda quando o censurado é bem parecido com a mesa. Quando a gente fala do negro no espaço do teatro, quais são as representações negras que temos? Ao olhar a história do teatro brasileiro, existem peças teatrais da década de 20, de pessoas negras, que foram censuradas, porque não queriam que aquelas pessoas representassem o país. Então de que censura é que se fala? É da censura que fere o branco” questionou um estudante da Escola de Teatro e membro da gestão do Diretório Acadêmico.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s