TEMOS QUE FALAR DE FEMINICÍDIO

Por Ruan Amorim

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Nessa última sexta-feira (13), a Biblioteca Juracy Magalhães, no Rio Vermelho, realizou o Seminário Feminicído: É preciso falar sobre isso. A programação contou com mesas temáticas sobre o feminicído em diversos grupos populacionais, oficinas de saúde psicológica da mulher e Lei Maria da Penha.

Em 2019 a Bahia registrou um aumento de 32% dos casos de feminicídios, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), foram 101 casos registrados contra 76, em 2018. No evento, entre as discussões, a fisioterapeuta Isabela relatou quase entrar para as estatísticas do crime, em fevereiro do ano passado, quando foi vítima de uma tentativa de feminicídio, levando 68 golpes de faca a mando do seu ex-namorado. A violência aconteceu em seu carro, quanto o ex-namorado dirigia o veículo e dois homens, contratados por ele, esfaquearam a fisioterapeuta, que se fingiu de morta para escapar. 

Hoje, Isabela se sente na obrigação de sempre falar da temática para fortalecer o combate a todo tipo de agressão contra mulher: “Em fevereiro do ano passado fui vítima de uma tentativa de feminicídio, então eu me sinto na obrigação de tirar meu dia de folga para palestrar sobre, pois é uma forma de alertar a sociedade para o mal, para o câncer que é o feminicídio no Brasil”, explica.

Todas por uma 

A importância da união e acolhimento às vítimas também foi debatido no seminário, através de uma dinâmica realizada pela Psicóloga Queli Santos. Nela, uma pessoa se apresentava e decidia a quem iria entregar um pedaço de barbante, sem soltar o seu, assim, a dinâmica seguia até chegar à última pessoa, formando um emaranhado.

Para Queli, a dinâmica é importante para exemplificar como as relações sociais devem ser fortalecidas como redes de apoio. “A gente está fazendo esse emaranhado para que possamos demonstrar de uma forma objetiva, que se estivermos sofrendo algum tipo de violência ou vendo alguém sofrer, nós podemos ser como essa rede de apoio”, Explica.

 Maria da Penha

Além das dinâmicas, participantes do seminário aprenderam com a advogada, Luciana Leal, sobre as formas de violência domésticas e Lei Maria da Penha, que tem esse nome para homenagear Maria da Penha Fernandes, farmacêutica cearense que ficou paraplégica depois de sofrer inúmeras tentativas de homicídio do ex-marido. Maria da Penha lutou por 19 anos e conseguiu que a lei fosse criada.

Para Maria da Glória, estudante de serviço social, que acompanhou o seminário, foi fundamental para compreender e identificar os sinais da violência e não se calar. “Muitas das vezes é difícil expressar em palavras, mas é necessário que a gente fale”, afirmou Maria.

Flosrivaldo Junior, policial militar, que atua na ronda Maria da Penha, em Feira de Santana, salientou a importância de falar sobre a Lei Maria da Penha no evento, e chamou atenção para pouca presença de homens no seminário. “Eu entendo a necessidade de participação dos homens nesse cenário, pois há neles a necessidade de desconstrução, é preciso falar para eles também”, afirmar.

O evento foi produzido pela Fundação Pedro Calmon, uma fundação do Governo do Estado, responsável pela coordenação do sistema de arquivos e bibliotecas públicas da Bahia, no  intuito de fomentar o debate sobre a cultura como um modo de vida. 

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