Direitos & Saberes – Raul Aguilar

Por Sara

Clique aqui para acessar o TCC de Raul Aguilar.

Graduado em jornalismo pela Faculdade de Comunicação da Ufba em 2017, Raul Aguilar integrou a equipe do Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania (CCDC/UFBA) durante seu período como estudante. Hoje Raul é repórter de política do jornal A Tarde,  do portal A Tarde Online, e do jornal Massa, além de editor da página de política do jornal Massa. Na segunda entrevista da série Direitos & Saberes Raul compartilha um pouco do processo de produção do seu trabalho de conclusão de curso.

Foi no CCDC que ele despertou o olhar para questões como os direitos de crianças e adolescentes, tema de seu trabalho de conclusão de curso. Fazendo  monitoramento das violações dos direitos humanos nas mídias, em programas como Se Liga Bocão, Na Mira e Brasil Urgente Raul notou como esse grupo era vítima constante dessas violações.

Por que a escolha dessa temática para o seu TCC?

Sempre foi um  tema que me sensibilizou bastante a questão das violações de direitos de crianças e adolescentes. A gente sabe que a desigualdade no Brasil é grande, e que muitas vezes as crianças e jovens acabam seduzidas pela  criminalidade por conta da situação de extrema miséria em que estão inseridas. E a mídia não tem coração , não tem sentimento, no relato dos fatos os jornalistas são muito cruéis, os apresentadores são desrespeitosos, invasivos. Nós compreendemos que crianças e adolescentes são seres em desenvolvimento, eles têm suas peculiaridades, seus dilemas, e eu queria tratar desse tema, mostrar isso.

A princípio a ideia era produzir um livro-reportagem, eu queria tratar desse tema escrevendo, junto com a FUNDAC (Fundação da Criança e do Adolescente), sobre os processos de ressocialização,  de avanço e retrocesso. Mas por conta de uma série de problemas não tive como. Então decidi analisar na mídia as violações dos direitos humanos, escolhi dois jornais do estado, o jornal Correio, e o jornal A Tarde. Eu queria descobrir se mesmo depois de tanto tempo de atuação do CCDC as violações ainda eram corriqueiras, e vi que sim. Elas eram muito frequentes ainda, e de forma sistemática.

E como foi o processo de produção e pesquisa?

Foi muito complicado, tive que correr atrás das edições certinhas  e analisar uma por uma, revisar. Usei a análise de títulos e enquadramento,  pesquisa qualitativa, tudo muito próximo do trabalho desenvolvido no CCDC. Por ter sido um momento muito complicado da minha vida eu acabei não me prendendo muito a metodologia que tracei, o que penso que foi um erro. Analisei como era a construção discursiva e fui tentando mostrar, a partir delas, as violações existentes. Mesmo não entrando muito no mérito da análise discursiva eu busquei analisar as matérias com cuidado, sem emitir juízos de valor, apenas expondo se tinham ou não violações.

Você enxerga nos discursos dessa atual necropolítica brasileira uma influência direta na manutenção do  desrespeito nas coberturas midiáticas quando há crianças e adolescentes envolvidos?
Infelizmente continua acontecendo isso, de forma sistemática. Hoje com um presidente como Jair Bolsonaro que é anti-direitos humanos, digamos assim, ou que tem uma visão deturpada sobre direitos humanos abre brecha para que esses discursos não só continuem, como ganhem notoriedade. Esses discursos ganham projeção em alguns meios de comunicação, e era para nós estarmos vivendo um período de transição para o fim disso. Para o fim desses tipos de governantes, dessas políticas de confronto, de desrespeito aos direitos humanos, aos direitos das minorias políticas e econômicas. Ao invés, vemos isso se tornando recorrente, abrindo brecha para que isso ganhe popularidade na sociedade. As pessoas  passam a trazer seus demônios pra fora, acham que o correto realmente é espancar, desrespeitar, agredir. Isso impede até o debate público, não só o político mas até o diálogo entre as pessoas. O clima de animosidade é extremamente alto, as pessoas não se escutam, há essa promoção do ódio sistemático aos direitos humanos. Criam-se fantasmas, caçam bruxas inexistentes para sustentar uma visão de mundo que é baseada na violência, na agressão. Uma espécie de Código de Hamurabi, olho por olho, dente por dente, alicerçando essa visão. Analisando essas duas categorias, criança e adolescente,  são os mais vulneráveis a essa necropolítica.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s