Direitos & Saberes – Cassio Santana

O jornalismo brasileiro, que segue a linha do jornalismo
estadunidense, tem uma tendência em buscar polarização quando se
trata de política

Cassio Santana

Por Everton Ruan

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Cássio Santana é jornalista, Mestre e Doutorando em Comunicação e
Cultura Contemporânea na Universidade Federal da Bahia (POSCOM-
UFBA). Santana também é coordenador do Centro de Comunicação,
Democracia e Cidadania (CCDC/UFBA) e integra o Centro de Estudo e
Pesquisa em Análise do Discurso (CEPAD/ UFBA).
Nesta terceira entrevista da série: Direitos & Saberes, Cássio Santana conta
como foi o processo de produção da sua dissertação, desde a escolha do
tema até a análise dos dados e resultado.

Por que a escolha dessa temática para a sua dissertação?

Quando escrevi a dissertação, ocorria o processo de afastamento da então
presidente Dilma Rousseff. Eu estava tentando compreender como o
processo de impeachment era construído pelos principais jornais brasileiros, particularmente o Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. E uma das frentes de análise era analisar as imagens, em termos de enquadramento, qual papel desempenhavam as imagens na cobertura do impeachment. Ao final, ficou claro que as imagens, em conjunto com os demais elementos dos jornais, desempenhavam um papel importante no enquadramento das notícias.

E como foi o processo de produção e pesquisa?

Foi um momento marcado por altos e baixos. Geralmente os jornais
dificultam a coleta de grandes quantidades de conteúdo nos bancos de
dados, inclusive para pesquisadores. Então eu tive que lidar com certas
limitações desta natureza. Após os dados serem coletados, o desafio era
analisar todo o material e tirar quantitativos válidos em termos metodológicos. Eu usei um software de análise à época que me ajudou
bastante.

Além do mais, pesquisar um tema que está ocorrendo no
momento da pesquisa é complicado, há reviravoltas, inclusive com
reverberações na cobertura dos jornais. Ao final, deu tudo certo.

Diante do atual cenário político, você observa alguma mudança no
enquadramento dados às matérias jornalísticas, em especial, nas
fotografias?

O jornalismo brasileiro, que segue a linha do jornalismo estadunidense, tem
uma tendência em buscar polarização quando se trata de política. Criam-se
personagens e eles são colocados em embate, como em um jogo, em que
dois jogadores ou equipes se enfrentam. Há sempre vencedores e
perdedores. Em relação às imagens, a cobertura não é diferente. Com a
pandemia, este tipo de cobertura ganha apenas novos atores, o presidente
contra o ministro da saúde, o presidente contra o governador de São Paulo
– este tipo de construção em volta de embate é o foco do jornalismo político
brasileiro contemporâneo, muito em uma linha do jornalismo estadunidense.

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