MOVIMENTO: CCDC INDICA

Pesquisadorxs negrxs indicam livros essenciais na luta antirracista

Por Ruan Amorim

 #vidasnegrasimportam #blackoutTuesday e mais recentemente #StopHateforProfit foram algumas das hashtags viralizadas nas redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter depois do assassinato de George Floyd, em 26 de maio, homem negro assassinado por um policial branco em serviço. No Brasil, as hashtags ganharam projeção e se mostraram importantes para a visibilidade do combate ao racismo que destrói vidas todos os dias. Os assassinatos de João Pedro, criança baleada em  casa em uma operação policial, no Rio de Janeiro, e Miguel da Silva, vítima de negligência racial da empregadora da sua mãe, deram ainda mais notoriedade às hashtags em prol do movimento negro, das vidas negras, ganhando a adesão de artistas, ativistas e influenciadores. 

Com o intuito de somar à luta antirracista, entender mais sobre o racismo e ir além das hashtags, o Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania iniciou o movimento: CCDC INDICA. O projeto consiste na  indicação de livros essenciais na luta antirracista, feitas por pesquisadorxs negrxs em diversos segmentos para evidenciar a importância de estudar  autorxs negrxs que tratam sobre temática do racismo em suas diversas facetas e demais temas. Assim, o CCDC/UFBA segue somando na luta contra o epistemicídio, uma forma de racismo que atinge a construção de conhecimento e entendimento da realidade social ao banir epistemologias negras do debate público.

Vamos LER!

O pesquisador Paulo Victor Melo, doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, pesquisa a relação entre mídia, raça e racismo e indica um livro fundamental para a sua análise, O Negro na Tv Pública, organizado pelo pesquisador Joel Zito Araújo. O livro traz uma série de artigos de pesquisadorxs da área como Muniz Sodré, Sueli Carneiro e Jurema Werneck. “A obra é fundamental para quem quer pesquisar a mídia e o racismo como também o próprio papel da Tv pública no desenvolvimento do racismo”, afirma Melo.

A pesquisadora Tâmara Terso, doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas na Universidade Federal da Bahia, indica o livro Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos, organizado pelo pesquisador Tarcízio Silva. O livro apresenta debates sobre comunicação digital, segurança na internet, racismo online, teoria racial crítica, dentre outros temas. “Nesse momento em que vivemos uma pandemia mundial e estamos todos conectados nas redes, é importante debater sobre como as tecnologias são construídas, estudando a partir de um olhar descolonizado, em que pessoas negras tratam sobre essas questões”, explica Terso.

A literatura não poderia ficar de fora do movimento e por isso o pesquisador Cássio Santana, doutorando em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, indica um clássico da literatura brasileira: Recordações do Escrivão Isaías Caminha. O primeiro romance do escritor, imortal, Lima Barreto! Na obra, Lima Barreto conta a sua história através do personagem Isaías Caminha, um intelectual negro empobrecido, que sai do interior do Rio de Janeiro para estudar na capital, mas se depara com a sociedade que se estrutura de ínicio ao fim pelo racismo. “O personagem, que buscava ascensão social e profissional, encontra o racismo e as suas barreiras impedem de seguir seu caminho”, explica Santana.

 O livro traz em sua essência uma crítica à sociedade da época e se faz pertinente na atualidade, uma vez que o racismo continua presente e em atualização. 

O livro Escritos de Liberdade: Literatos Negros, Racismo e Cidadania no Brasil Oitocentista, da pesquisadora Ana Flávia Magalhães Pinto, foi indicado pelo jornalista e mestre em Estudo de Linguagens, André Santana. A obra revela a importância da imprensa negra para os discursos referentes à cidadania negra, nos períodos escravocrata e pós-abolição. “A autora apresenta de forma minuciosa um estudo sobre as articulações diretas e indiretas de intelectuais negrxs do século 19, revelando estratégias para o protagonismo de pessoas negras no seu processo de cidadania e libertação”, explica André Santana.

Bruna Rocha, jornalista, ativista e mestranda do programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA, indica o livro Olhares Negros: Raça e Representação, da Dra. em literatura, feminista e ativista social, bell hooks. Na obra, a autora traz ensaios sobre a representação de pessoas negras em produtos culturais e midiáticos. O livro apresenta, com questões pontuais, regimes de visibilidade aos quais pessoas negras são submetidas e enfatiza como a representação imagética está associada, de forma direta, a estrutura racial e sexual da nossa sociedade. A discussão apresentada pela obra é fundamental para entendermos como a comunicação se articula por meio da racialidade. “É uma ótima oportunidade, um ótimo conteúdo para conseguirmos conectar as nossas discussões e deontologia profissional com a luta antirracista”, pontua a ativista.

Rocha também indica um livro que não poderia faltar na nossa lista, Pensar Nagô, do jornalista e sociólogo,  Muniz Sodré. O autor nos convida para um encontro transcultural e não violento entre modos diversos de crer, existir e pensar. Uma leitura fundamental, em que Muniz Sodré revela que a filosofia não é  exclusiva do pensamento ocidental europeu e destaca o seu olhar para diáspora africana.

“Embora tenha sido escrito em 1978, o livro é atual em demonstrar como as violências contra a população negra permanecem e se atualizam diariamente”, é assim que a pesquisadora e mestranda em Comunicação e Cultura contemporâneas, Jonaire Mendonça, introduz a indicação do livro O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um racismo mascarado, do professor, poeta e dramaturgo Abdias Nascimento. A obra apresenta diferentes estratégias para organizar o genocídio dx negrx brasileiro, destacando o sentido ampliado desta noção, que para além de um extermínio em massa de um grupo por meio da morte física, está na extinção dos valores sociais, culturais e na negação dos  direitos básicos.

E o livro que encerra nossa matéria é Interseccionalidade, da intelectual Carla Akotirene para a coleção Feminismos Plurais. A indicação é feita pela nutricionista, doutoranda em Saúde Pública na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, Etna da Silva. Para Silva, a teoria da interseccionalidade surgiu nos movimentos feministas  negros e indica que a raça, o gênero e a classe social se interseccionam, definindo a localização particular na estrutura social, que ao ser examinados de formas simultâneas, visibilizam diferenças em grupos que são considerados como homogêneo, como é o caso de mulheres e negros.   Esse entendimento contribui nas suas análises sobre comorbidades e acesso à saúde em comunidades negras.

Links para baixar os livros: 

O Negro na Tv Pública: 

https://www.estantevirtual.com.br/livros/joel-zito-araujo-org/o-negro-na-tv-publica/1227423384

Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos

http://www.literarua.com.br/livro/olhares-afrodiasporicos

Recordações do Escrivão Isaías Caminha

 O livro: Escritos de Liberdade: Literatos Negros, Racismo e Cidadania no Brasil Oitocentista

http://editoraunicamp.com.br/produto_detalhe.asp?id=1179

Olhares Negros: Raça e Representação

https://www.estantevirtual.com.br/livros/bell-hooks/olhares-negros-raca-e-representacao/3529680287

Pensar Nagô

O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um racismo mascarado

Interseccionalidade (Feminismos Plurais)

Aproveite a leitura!

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