O movimento afro vegano e os limites da segurança alimentar na pandemia – Direito é meu e seu.

por Jonaire Mendonça*

O crescimento da fome em mundo que produz mais do que o suficiente paraalimentar sua população é uma questão que retorna em meio à pandemia de COVID-19. O problema da insegurança alimentar atinge a América Latina e o Caribe em
cheio, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura – FAO, e medidas que equacionem meios de produção, acesso e hábitos alimentares tornam-se urgentes.
O setor produtivo não entrou em isolamento, porém as condições de acesso aos alimentos estão ainda mais limitadas por falta de recursos financeiros circulando entre as populações de baixa renda, de maioria negras, povos e comunidades
tradicionais sem acesso a terra, imigrantes e outros. Neste contexto, os sistemas viciados de produção em larga escala, sem equilíbrio ambiental e para poucos é questionado como insustentável para as próximas gerações. Hoje, ele já pode ser
considerado um dos vetores no processo de distúrbios alimentares, desnutrição e trabalho precarizado.

Para falar sobre os desafios da efetivação do direito à segurança alimentar e acesso
aos alimentos saudáveis no contexto atual, convidamos Daiane Lima para a sétima
edição do “Direito Meu e Seu”. Lima é ativista do movimento Afro vegano, administradora, afroempreendedora no Rosas do Dendê e adepta há 11 anos de uma
alimentação de base vegetal. Ela também mantém uma página do instagram, a
“Pretaveg”, ambiente em que promove debates sobre alimentação saudável,
comércio justo e ações antirracistas.

Jonaire Mendonça: Essa semana a OXFAM Brasil, organização da sociedade civil para a
garantia de direitos humanos, apresentou a pesquisa “O Vírus da Fome: como o
coronavírus está aumentando a fome em um mundo faminto”, que prevê a
possibilidade de 12mil pessoas morrerem de fome no mundo, até o final de 2020. A
orientação de isolamento social para o combate da pandemia de COVID-19 revelou
profundas desigualdades, entre elas o privilégio ao isolamento com segurança
alimentar e o crescimento da fome entre a população de baixa renda. Como os
movimentos de alimentação saudável e afro-veganos avaliam essas contradições?
Daiane Lima: Para mim, mulher preta, ativista, com uma alimentação de base vegetal,
vejo o acesso ao alimento com problemas enraizados e estruturantes no racismo. O
que permite que algumas pessoas tenham acesso à alimentação e outras não,
sobretudo, a alimentação de qualidade. Nós sabemos que a população preta é a que
têm menos acesso a alimentação de qualidade. Vale a pena sempre focar na qualidade desse alimento e o acesso à alimentação tem uma cultura pregada pelo
capitalismo: precisamos nos nutrir de determinados alimentos como sendo essenciais.
Nesse processo eu percebo que os alimentos são negados à população preta: frutas,
verduras e legumes. Isso gera um deserto alimentar em algumas regiões em que você
não encontra esses alimentos, em contrapartida tem uma produção em massa de
alimentos que são usados para poder alimentar animais. Então, a gente gasta um
excesso de grãos para poder produzir animais que vão alimentar apenas uma parcela
da população, pois não é toda a população que vai ter acesso. Isso é uma incongruência, né? Percebemos que o modelo capitalista consegue preconizar isso, e esse modelo produz alimentos demais. Hoje produzimos a quantidade de alimentos suficiente para alimentar todos os seres do planeta, contudo, há um direcionamento para onde vão esses alimentos; há também um direcionamento em relação aos animais, muito é produzido para a alimentação animal só que esse animal vai ser consumido apenas por um determinado nicho da população que muitas vezes consome em larga escala, uma quantidade exacerbada em detrimento de uma outra parcela da população negra, por exemplo, que é quem menos consome esse animal. A parte que seria menos prejudicial do animal, que são os cortes mais nobres, vão para uma pequena parcela, enquanto que a maior população segue comendo mais embutidos, os restos que são misturados com outros alimentos e são mais processados. A modelagem do capitalismo, além do racismo estrutural permite que essa situação favoreça um sistema. Temos uma produção excessiva de grãos, porém essa produção será destinada para alimentação de gados, bovinos e suínos, enfim, de diversos animais e os restos serão descartados. Então, o problema da fome hoje não é a questão de não ter os alimentos, mas, o direcionamento desse alimento. Podemos fazer o recorte e ver para quem são direcionados esses alimentos. JM: O que são os sistemas viciados de produção de alimentos e em que medida eles são nocivos para a alimentação saudável? DL: Com relação aos sistemas viciados, eu percebo que hoje há uma limitação do que se come, porque essa limitação é gerada a partir de uma produção estabelecida pela indústria. Quem determina o que a gente vai comer são as grandes organizações. Então, hoje a população tem um nível muito limitado de consumo de alguns alimentos em detrimento de outros. Muitas vezes, são alimentos que o nosso corpo nem identifica como alimento, porém é o que a indústria produz e que a dinâmica do mercado determina que precisamos consumir. Alimentos cada vez mais processados e industrializados. São alimentos que não passam por uma análise segura dos perigos para o nosso organismo. Existe um movimento no mundo todo com relação a publicidade das informações do que está sendo consumida no rótulo dos alimentos, porém no Brasil isso não é visto. Em outros países o rótulo explicita o que de fato tem naquele alimento, gordura trans e quantidade de açúcar. Aqui não tem isso! A gente acaba sendo enganado pelo rótulo acreditando que o alimento é saudável quando na verdade é um alimento altamente processado e industrializado. Nós temos dificuldade de entender ele como alimento e esse sistema é moldado pela estrutura da indústria.Não nos permite ter acesso a outros tipos de alimentos, a variedade que a natureza nos dá. Estamos condenados a comer sempre os mesmos alimentos e com frequência. Muitos não são reconhecidos pelo nosso corpo com alimentos naturais e sim, como um conjunto elevado de ingredientes programados pelas indústrias, feitos de forma artificial, em laboratórios. Há uma dificuldade grande de assimilação do nosso corpo em reconhecer nutrientes altamente nocivos para nossa saúde.

JM: Em uma sociedade em que comer bem é privilégio, o que é ser afro-vegano? Como
esse discurso se sustenta e ganha novxs adeptxs?
DL: Nessa sociedade desigual de fato comer bem se tornou um privilégio. Tendo em
vista que muitas pessoas não têm condições financeiras e não tem poder de escolha
sobre aquilo que vai comer, isso dificulta muito o sistema de acesso a comida de
qualidade. Mas o que a gente percebe no movimento afro-vegano, na tentativa de
levar a mensagem, é que muitas vezes o entendimento sobre comida de qualidade é
errôneo. Acredita-se, muitas vezes, que alguns alimentos podem trazer o valor
nutricional para o seu corpo, porém essa informação é mostrada de forma distorcida.
Então, o que tentamos mostrar é que dá para você fazer várias escolhas mais
assertivas nesse contexto, ainda que seja um contexto de limitações e privações.
Tentamos mostrar que a ideia de repensar seu prato a partir de alimentos vegetais é
muito mais simples do que pode parecer se fizer escolhas priorizando vegetais naturais
no seu prato com alimentos de feira, alimentos naturais do dia-a-dia, que são
produzidos pela agricultura familiar e por produtores locais. Queremos mostrar um
outro olhar sobre a comida, descentralizando os alimentos de origem animal, os
alimentos industrializados e processados. Queremos mostrar como é possível fazer
escolhas assertivas, tirando a ideia de que você precisa de um alimento de origem
animal para ter todos os nutrientes necessários. Então, nossa ideia é mostrar para a
população preta a possibilidade de uma alimentação de base vegetal com alimentos
naturais. Uma dificuldade é que hoje tem uma leva de produtos vistos como produtos
saudáveis e que muitas vezes são produtos gourmetizados, apropriados por aquele
nicho de mercado da alimentação saudável, mas que não tem nada a ver com a sua
vida, são alimentos vazios e meramente comerciais. Tentamos mostrar que uma
alimentação de base vegetal é acessível e dispensa esses tipos de produtos. Assim,
colocamos os vegetais como o grande astro dessa cozinha mais saudável, trazendo os
alimentos naturais e vegetais, os alimentos que a natureza oferece mostrando como
você pode se nutrir de forma completa. Um trabalhador que ganha um salário mínimo
pode comprar sua cesta básica de forma assertiva dentro dessa diversidade de
produtos naturais.

JM: O afro-veganismo tem despertado o interesse de militantes em geral, uma vez que
transita pelo ativismo político. Como você analisa essa tendência?

DL: Eu acredito que o afro-veganismo tem trazido esse interesse por parte dos
militantes por ter um diálogo maior com o ativismo político, por entender que a gente
não está falando apenas de um modismo ou de uma tendência. Nós estamos falando
de uma sociedade que seja mais equânime para todos, visando o bem-estar da
população. A gente sempre faz o recorte da população negra e também dos seres que
compartilham esse sistema conosco. Tentamos trazer essa análise de um anti-
especismo para não analisarmos os animais, por exemplo, como seres inferiores e que
por isso merecem ser explorados. A gente engloba os animais nessa luta como
também o meio ambiente. Tentamos fazer com que a visão sistêmica das lutas seja o
nosso foco, por isso, talvez, seja esse o fator principal que diverge do movimento
vegano comum. Falamos das lutas interseccionais, que entende que não haverá um
mundo que seja equânime, com equidade para todos se continuarmos reproduzindo
padrões de comportamentos de opressão de uma espécie sobre a outra. Dessa forma,
estamos trazendo pautas interseccionais. Por isso, a gente tenta mostrar as
possibilidades desse modo de viver em um mundo que visa e prioriza ações que vão fortalecer o planeta todo. Eu enxergo esse movimento como de interseção das ações,
pois não desqualificamos, não somos uma olimpíada de opressões, não estamos aqui
para trazer uma opressão em detrimento de outra. Porém, sempre fazemos o recorte
racial porque a gente vê que o racismo é estrutural e estruturante, então não dá para
falar de qualquer luta nesse país se você não pautar o racismo com centralidade no
discurso. E a partir daí, tentamos chegar em diversas pautas através do entendimento
de que o racismo é descentralizante. Por isso, o nosso movimento vegano se pauta,
acima de tudo, no fortalecimento da população preta a partir da nutrição, porque
percebemos que a população preta morre de diversas formas e a alimentação é uma
maneira de extermínio, negligenciada pelos movimentos de modo geral. Então,
mostramos esse lado, que a gente precisa ter corpos sadios, corpos combatentes e
para isso precisamos cuidar dessa morada que é o corpo que habitamos. Há uma
oportunidade de cuidar dessa morada e esse cuidado pode ser feito em equilíbrio com
outras questões, outras pautas. É o que a gente traz.

JM: É comum ouvir falar que “Veganismo é coisa da elite branca. É caro e inacessível”.
Como o movimento afro-vegano ajuda a promover equidade, o acesso à justiça social e
o direito aos alimentos saudáveis para a população negra?
DL: Sim, o movimento vegano é visto como um movimento de elite, sobretudo porque
ele é encabeçado em sua maioria por pessoas brancas, então eu vejo dois aspectos:
primeiro que esse nome, o termo veganismo, ele foi cunhado na Europa, por um
homem branco, e a partir daí a gente vê que essa nomenclatura está totalmente
associada a um movimento que foi pensado por pessoas brancas. Porém, o que
tentamos mostrar é que a tecnologia utilizada por essas pessoas, a tecnologia de dizer
que precisamos cuidar do meio ambiente, dos animais e do nosso corpo, isso é algo
que nos pertence muito anteriormente à definição dessa terminologia. Adotamos sim
o termo de vegano, porém tentamos mostrar para população, sempre com o recorte
para população negra, que esse modo de viver onde você pensa no cuidado com o seu corpo, respeita os animais, pensa em um cuidado com o meio ambiente é uma
tecnologia, uma ferramenta que já era muito utilizada pelos nossos povos. E aí
trazemos alguns exemplos da configuração dos nossos antepassados enquanto seres
que viviam a partir dessa dinâmica como a própria alimentação do Kemet, que é o
Egito Antigo, uma alimentação baseada sobretudo em plantas, uma base vegetal e
multi-germinada. Percebemos que isso tudo foi se perdendo ao longo dos anos,
sobretudo com a colonização. Depois da colonização, dessa diáspora forçada, a
população preta foi se distanciando dessa alimentação que lhe pertencia, natural que
promovia saúde, vida para o seu corpo. Hoje muitos alimentos que a gente come,
associados à cultura negra, são alimentos muito mais diaspóricos do processo de
escravização do que alimentos originalmente dos nossos povos. O quê que a gente
tenta trazer para a população preta? Dizer que se esse movimento foi cunhado na
Europa, encabeçado por pessoas brancas, aqui fazemos um recorte disso trazendo
elementos de nossos antepassados que já tinham essa alimentação, que apesar de não
chamar desse nome, já existia. Lembrando que a África é um continente, porém
existiam recortes de populações que viviam dessa forma e entendia que essa era uma
forma de se viver em conjunto, em harmonia com o meio ambiente, animais. Já
tivemos sim uma fase em que fomos caçadores e tudo mais, porém essa nunca foi a
centralidade da dieta. Nossa ideia é mostrar essas possibilidades, tendo em vista que
hoje a gente come uma quantidade excessiva de produtos de origem animal. E isso já
foi comprovado que não faz bem para saúde. O movimento afro-vegano entra nessa
linha para trazer esse recorte que foi apagado pela história. Não se fala da alimentação
kemética, Ital, muito praticada pelos rastafáris, uma alimentação em conexão com a
terra, em conexão com o meio ambiente e com esse ser sagrado que é o nosso corpo;
que visa promover a saúde entendendo que acima de tudo somos seres que habitam
em um corpo, e esse corpo é a nossa morada. Se a gente não cuida dessa morada não
vamos conseguir lutar e cuidar de outras moradas. A ideia é mostrar que naquele
animal que morre existe uma energia, uma carga, um sofrimento e não queremos
trazer isso para o nosso corpo. Isso já foi dito, já foi pregado, já foi preconizado
anteriormente por povos africanos. Não é mostrar que estamos inventando a roda ou
trazendo coisas novas, mas sim a partir de estudos e leituras de outros irmãos que
estão aí há vários anos mostrando. Temos vários livros falando sobre isso, ativistas que
estão nessa linha de militância, irmãos que são adeptos dessa alimentação kemética,
Ital, crudívora [tipo de dieta vegetariana em que são permitidos apenas alimentos de
origem vegetal não processados nem cozidos]. Isso é muito antigo, e é uma tecnologia
nossa. Mais uma vez a branquitude de alguma forma se apropria, configura em outro
molde e faz com que pareça ser algo que não nos pertence. Então, a ideia do
movimento afro-vegano é dizer que agora talvez tenha um nome novo, uma estrutura
nova, mas há muita coisa que se assemelha com os nossos antepassados. Nosso povo
inventou a medicina. Essa medicina é de cura através dos alimentos. Esses alimentos
de cura são de base vegetal. Infelizmente, a maioria desses livros, dos escritos ainda
não foram traduzida para o português, então às vezes temos uma dificuldade maior de
acessar alguns conteúdos, estamos tentando mostrar sempre é esse caminho. Quando
você volta para o veganismo de base, político, que quer se desvincular dessa corrida

do capitalismo e quer mostrar como voltar para os alimentos naturais, os movimentos
vegetais mesmo, a gente percebe que é muito mais barato. Consumir vegetais, frutas,
legumes da estação, produtos frescos, comprar na feira, é muitos mais barato do que
consumir produtos industrializados; produtos de origem animal, carnes, frangos, carne
de boi, peixe, isso é muito mais caro. Até de forma leiga a gente sabe que se for ao
mercado ou à feira comprar 1kg de vegetal é muito mais barato do que comprar 1kg
carne. Essa ideia de que parece caro é porque virou um nicho de mercado que foi
apropriado por um setor da indústria capitalista. O movimento afro-vegano visa
justamente romper com isso.

JM: De que forma o incentivo a uma alimentação saudável e justa pode potencializar o
cooperativismo e a economia solidária?
DL: O incentivo de uma alimentação saudável e justa está totalmente alinhada à ideia
de uma economia solidária, mais cooperativa. Quando você pensa que consumir
produtos naturais, vegetais e frescos pode estar potencializando cada vez mais o
desenvolvimento da agricultura familiar, que está gestada, sobretudo, em micro
empreendimentos configurados em torno de famílias, a ideia de uma alimentação mais
saudável tem que estar totalmente casada com a ideia do consumo sustentável,
empreendedores locais e populares. A partir daí você também contribuir para o
declínio dessa cadeia de produção em escala, capitalista. Você incentiva cada vez mais
o consumo dos pequenos produtores quando incentiva o consumo da sua produção.
Assim, aumentamos a demanda desses produtores. Eles vão começar a perceber que,
com essa demanda, há possibilidade de organização e movimentação em torno de
grupos, de cooperativas e desenvolvimento de empreendimentos a partir desse
aumento da demanda. Eu acho que hoje é totalmente alinhada à ideia de um consumo
saudável com um consumo sustentável, porque é incongruente pensar em um
consumo saudável de alimentos naturais se você pensa na manutenção do sistema
capitalista, das grandes corporações que compram desses pequenos empreendedores
e continuam trabalhando como atravessadores. Eles aumentam o valor dos produtos e
pagam muito mal aos produtores. Então, a ideia é você romper com esse processo de
atravessadores e comprar diretamente dos pequenos produtores, fortalecendo a
agricultura familiar.

JM: A comunicação e informação são elementos importantes na promoção dos direitos
à segurança alimentar e alimentação saudável?
DL: Eu acredito que a comunicação é uma ferramenta fundamental, essencial e de
grande proporção no processo de assegurar o acesso à alimentação saudável, tendo
em vista que muitas pessoas não vão ter autonomia financeira e o direito de escolher
sobre o que comer. Porém, existe outra parcela da população que tem acesso a esse

direito, a autonomia financeira, mas não fazem as escolhas assertivas por causa da
desinformação, uma informação errônea sobre aquilo que é, de fato, alimento
saudável e nutritivo. Isso, porque existe uma cadeia do sistema capitalista que está
justamente propagando informações equivocadas sobre a alimentação saudável. Um
exemplo, são os biscoitos. Você pega um biscoito industrializado e na foto da
embalagem coloca que o biscoito tem aveia, castanhas e tudo mais. Faz um trabalho
de marketing fantástico sobre aquilo, porém a informação está totalmente
negligenciada, pois quando você vai ver no rótulo o produto tem uma alta carga de
açúcar, gorduras hidrogenadas. Isso é permitido porque a legislação brasileira é
permissiva nesse sentido. Então, a ideia é que a comunicação seja mais transparente e
cada vez mais o consumidor tenha acesso à informação do que ele está consumindo.
Muitas pessoas hoje se alimentam de forma equivocada por conta de uma
desinformação do que é aquilo que vem no rótulo dos produtos. Toda vez que a gente
fala do processo de comunicação, tentamos mostrar como a comunicação pode ser
alinhada para desmistificar esses conceitos errôneos do que são produtos saudáveis.
Além disso, é preciso que as políticas sejam mais claras no sentido para mostrar de
fato ao consumidor o que ele está consumindo. Existe uma campanha em torno da
legislação, para que fique transparente e o consumidor não caia na falácia de que ele
está consumindo alimentos industriais altamente processados, acreditando que são
saudáveis, a partir da configuração de empresas e marketing que moldam a
informação para parecer que são alimentos naturais. A comunicação é uma grande
aliada nesse processo porque entende-se que isso vai melhorar muito quando
tivermos o acesso a informações reais daquilo que estamos consumindo. E essa
medida vai propagando a ideia do que são alimentos naturais, pois os saudáveis são os
menos processados!

*Jonaire Mendonça é produtora cultural, idealizadora da agência Criôla Criô e
atualmente mestranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas na Universidade
Federal da Bahia (POSCOM/UFBA). Integra como pesquisadora o Centro de
Comunicação, Democracia e Cidadania (CCDC/UFBA) e o Centro de Estudos e Pesquisas
em Análise do Discurso e Mídia (CEPAD/ UFBA).
A entrevista contou com a colaboração dos bolsistas do CCDC/UFBA, Everton Ruan e
Andressa Franco.

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