“A pandemia mostrou o quão o país é desigual. Grande parte dos estudantes não têm acesso à internet Wi-Fi ou então não tem uma conexão de qualidade.” – Direito é meu e seu

Por Luan Pugliesi*

Com a pandemia do novo coronavírus, a população brasileira ainda se encontra em uma quarentena flexibilizada, mesmo após aproximadamente 9 meses da aplicação da medida de isolamento. Durante esse período, o país se viu de frente a novas problemáticas sociais, como a continuidade do ensino público e privado. Instituições de ensino de todos os níveis, fecharam as portas para atender as medidas de isolamento.


Após alguns meses de confinamento e interrupção das aulas, o debate sobre a continuidade da educação vêm à tona: Como o país pode continuar a produzir conhecimento em meio a uma pandemia? Levantada essa questão, as secretarias de ensino, instituições privadas e órgãos federais como o CNE (Conselho Nacional de Educação) enxergaram no ensino remoto ) como alternativa e solução diante do cenário da pandemia. Entretanto, a implementação deste método de ensino se mostrou problemática, visto as situações de desigualdade no país.


Para debater melhor o assunto, o CCDC conversou com Cássio Santana, que é jornalista,
mestre e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura
Contemporâneas (PósCom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), membro da
coordenação do Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania (CCDC/UFBA) e membro do Centro de Estudo e Pesquisa em Análise do Discurso (Cepad/UFBA). Pesquisa Análise do Discurso e Teorias da Comunicação, com interesse na construção dos discursos sociais. Na entrevista, Santana fala sobre a segurança de dados em ambientes de educação digital, plataformas alternativas, às dificuldades que estudantes em situação de vulnerabilidade social encontram no ensino remoto e sobre possíveis políticas de inclusão digital para combater a desigualdade no ensino e democratizar o acesso à educação e tecnologia.

Confira a entrevista

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Com a pandemia do novo coronavírus, a população brasileira ainda se encontra em uma quarentena flexibilizada, mesmo após aproximadamente 9 meses da aplicação da medida de isolamento. Durante esse período, o país se viu de frente a novas problemáticas sociais, como a continuidade do ensino público e privado. Instituições de ensino de todos os níveis, fecharam as portas para atender as medidas de isolamento. . Após alguns meses de confinamento e interrupção das aulas, o debate sobre a continuidade da educação vêm à tona: Como o país pode continuar a produzir conhecimento em meio a uma pandemia? Levantada essa questão, as secretarias de ensino, instituições privadas e órgãos federais como o CNE (Conselho Nacional de Educação) enxergaram no ensino remoto ) como alternativa e solução diante do cenário da pandemia. Entretanto, a implementação deste método de ensino se mostrou problemática, visto as situações de desigualdade no país. . Para debater melhor o assunto, o CCDC conversou com Cássio Santana, que é jornalista, mestre e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (PósCom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), membro da coordenação do Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania (CCDC/UFBA) e membro do Centro de Estudo e Pesquisa em Análise do Discurso (Cepad/UFBA). Pesquisa Análise do Discurso e Teorias da Comunicação, com interesse na construção dos discursos sociais. Na entrevista, Santana fala sobre a segurança de dados em ambientes de educação digital, plataformas alternativas, às dificuldades que estudantes em situação de vulnerabilidade social encontram no ensino remoto e sobre possíveis políticas de inclusão digital para combater a desigualdade no ensino e democratizar o acesso à educação e tecnologia. . Confira a entrevista realizada por Luan Pugliesi, link na BIO . #tecnologiadainformaçao #educacaoinclusiva #educaçao #tecnologiaeducativa #ccdcufba #ensinopublico #educaçãopública #educacao #ead #ensino

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Luan Pugliesi: Sabemos que a utilização do ensino remoto público depende diretamente da utilização das tecnologias de comunicação a distância. Logo, surgem problemáticas envolvendo a segurança digital. Hoje, utilizamos redes de fibra óptica e tecnologia 4G, onde a informação e os dados são transmitidos de uma forma muito rápida, em breve teremos a tecnologia 5G, essa que abre mais espaço para ciber ameaças devido a vulnerabilidade na infraestrutura das telecomunicações. Como podemos garantir que o ambiente digital para estudo seja seguro e que docentes e discentes não tenham seus dados invadidos?

Cássio Santana: Embora, nestes espaços, geridos por grandes empresas, seja difícil estar totalmente seguro, é possível tomar algumas medidas de segurança. A maioria das
plataformas de reunião on-line oferecem medidas de segurança, como senhas ou chaves de acesso, em que cada estudante só pode acessar a sala se tiver a senha, ou então cadastros por e-mail, a entrada só é validada através do email cadastrado, ou outra informação. No mais, é necessário as instituições de ensino invistam em segurança digital, isto se tornou urgente, pensar em um ambiente seguro para professores e alunos.

Luan Pugliesi: Ainda sobre a relação entre grandes empresas multinacionais e o ensino remoto público. Podemos confiar a essas grandes empresas os nosso dados? O que essas grandes empresas fazem com essas informações?


Cássio Santana: Geralmente, as informações colhidas por essas empresas são vendidas para outras. É um negócio de nicho. As empresas recolhem e tratam os dados, de acordo com nichos, e os vendem de acordo com o interesse do cliente, no caso outras empresas, ou até governos. Nenhum aplicativo ou serviço na internet é “de graça”. Sempre estão lucrando com algo.


Luan Pugliesi: Sobre o compartilhamento de dados entre instituições de ensino e os data centers das grandes empresas, como podemos garantir a segurança de dados e há outras alternativas de plataformas para a realização do ensino remoto?


Cássio Santana: Como eu disse, pode-se tomar algumas medidas de segurança, mas nem de longe Isto significa segurança. As empresas detêm um poder muito grande no controle do fluxo de informação, e não poderia ser diferente, são empresas e almejam lucro. A alternativa seria softwares livres, de código aberto, como o Jitsi, ao meu ver. E investimento em segurança cibernética.


Luan Pugliesi: Para além do fato de que, nem todos conseguem ter um dispositivo
tecnológico que viabilize o acesso às áreas de ensino remoto, quais dificuldades essas plataformas digitais apresentam?


Cássio Santana: É outra modalidade de ensino. Tudo muda. Tanto professores e alunos têm que se adequar a um novo cenário. A maior dificuldade é aprender a utilizá-las com
segurança, o que nem sempre é possível, como eu disse.


Luan Pugliesi: Essas dificuldades fortalecem a desigualdade no ensino e dificultam a implementação mais efetiva do método EAD?


Cássio Santana: A pandemia mostrou o quão o país é desigual. Grande parte dos estudantes não têm acesso à internet Wi-Fi ou então não tem uma conexão de qualidade. Muitos se utilizam apenas dos serviços de internet de operadores de celular, com pacotes que acabam rápido e são caros. As aulas de vídeo consomem muitos dados e geralmente o estudante que só tem esse meio passa por grandes dificuldades. Enquanto as classes mais abastadas conseguem acompanhar o movimento das aulas no contexto da pandemia, grande parte da população fica de fora. Uma política de ensino EAD tem que pensar nisso.


Luan Pugliesi: Você enxerga alternativas de ambientes, aplicativos e instrumentos de acesso nacionais?


Cássio Santana: Seria sair de um problema e cair em outro. Não me agrada a idéia que
empresas nacionais tenham acesso irrestrito aos meus dados, ou o governo.


Luan Pugliesi: E sobre o direito à inclusão digital, o que poderia ser feito pelo poder público para que o ensino remoto fosse menos desigual e mais plural?


Cássio Santana: Seria, antes de tudo, atacar problemas que antecedem a pandemia. Combate à pobreza, à vergonhosa distribuição de renda do país, à desigualdade de oportunidades, ao racismo, dentre outros. O problema que apareceu com a pandemia é reflexo disso também. Não basta ter acesso à internet ou ter celular, as pessoas precisam de dignidade, condições dignas de existência. É necessário unir aí um conjunto de ações.


Luan Pugliesi: De acordo com o Relatório Educação, Dados e Plataformas o Brasil está passando por uma sequência de cortes de investimentos públicos, onde ficou evidente o desmantelamento da estrutura de armazenamento e processamento de dados gerenciados pelo poder público. Assim, o país se encontra sem estruturas para manter o crescente número de dados produzidos. Como isso afeta o ensino remoto? Na sua visão, seremos sempre dependentes dos aplicativos e ambientes digitais de empresas estrangeiras?


Cássio Santana: Certamente. Mas, em uma situação hipotética, se tivéssemos aplicativos
nacionais, como eu disse anteriormente, o cenário também não seria tão animador. É
necessário softwares livres, construídos em comunidades e a partir de várias vozes, de código aberto, sem a gestão de empresas ou de governos.

  • Luan Pugliesi é graduando em Comunicação Social com Habilitação Produção em
    Comunicação e Cultura na Universidade Federal da Bahia (Facom – UFBA). Integra como
    bolsista a equipe do Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania da UFBA
    (CCDC/UFBA)

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